3 de jul de 2014

Paulinho leva sua música para todo lugar
(Foto: Thaís Monteiro)


Um banquinho e um violão na praça Saens Peña. O clássico som do violino chama a atenção de quem chega ao Shopping Tijuca. Uma estátua viva na Conde de Bonfim e, na esquina, uma apresentação de dança. Nos muros, as cores dos sprays dos grafiteiros dão nova vida ao desgastado cimento cinza. Basta fazer um pequeno trajeto pelo coração da Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, para estar diante de diversas expressões artísticas e culturais.
"Outono", da obra "As Quatro Estações", de Vivaldi,
faz parte do repertório de Péricles
(Foto: Thaís Monteiro)


A presença de artistas de rua pelo bairro é algo cada vez mais comum. Pela primeira vez na Saens Peña, Paulinho Andrade, que é músico desde criança e hoje trabalha com o Grupo Tá na Rua, conta que gosta de tocar ao ar livre. Diferente do que muitos pensam, boa parte dos artistas optam pelas ruas por amor, não por necessidade. "Ser artista de rua é legal, o público dá valor. Já toquei no nordeste, também é um povo muito receptivo".

E não é apenas em praças ou locais mais calmos que a música é o som ambiente. Em frente ao Shopping Tijuca, enquanto pessoas entram e saem, seja para almoçar, encontrar amigos, fazer comprar ou ir ao cinema, o violinista Péricles Bhalgatriner os presenteia com música clássica. Há que, passe batido, mas muitos são os que param para apreciar o artista. "Também toco em outros pontos da cidade, como no Centro. Meu trabalho é bastante valorizado por quem passa por aqui", conta o músico que se apresenta no local há oito anos.

Apesar do reconhecimento, muitos artistas de rua já sofreram ao serem proibidos de expôr seu trabalho em locais públicos. Em 2012, com a Lei n° 5429, veio uma conquista. Ela permite que manifestações culturais no espaço público aberto, como praças, largos e boulevards independam de prévia autorização dos órgãos públicos municipais para existir, desde que respeitem algumas regras: sejam gratuitas, permitam a livre fluência do trânsito e a livre circulação de pedestres, por exemplo.